Eu, cafeteira.
Você, liquidificador.
Eu, drama.
Você, humor.
Eu, sintaxe.
Você, desconstrução.
Eu, estrela.
Você, constelação.
Eu, certeza.
Você, ambiguidade.
Eu, orvalho.
Você, tempestade.
Eu, cerca.
Você, muro.
Eu, anacronismo.
Você, futuro.
Eu, vidro.
Você, cortina.
Eu, sossego.
Você, adrenalina.
Eu, lacônico.
Você, demasia.
Eu, sentimento.
Você, sinestesia.
Eu, brisa.
Você, ventania.
Eu, poeta.
Você, poesia.


Autor: Douglas Jefferson
Página do Facebook: Moça, você é mais poesia que mulher







post por: Gabby L.R


     Eu queria dizer não.
     Queria dizer não no momento em que você tocou meu corpo sem minha permissão.
     No momento em que suas mãos deslizaram pelas minhas costas em direção ao meu quadril, me acordando de um leve sono enquanto suas mãos tapavam a minha boca.
     Eu queria dizer não para aquele abraço/prisão que meus pais me obrigaram a te dar, só pelo fato de você ser ''da família''. Aquele conato que roubou meu ar.
     Eu queria gritar NÃO pra todo o sentimento de imundice e impotência que tomou conta de mim, aquele sentimento que me disse que eu estava suja.
     O grito não saiu da minha boca, saiu no choro de minha alma, e de cada abraço e demonstração de afeto que eu neguei a pessoas queridas, pelo medo irracional de que os braços delas se tornassem os seus. Eu me desmontava mais um pouco, pra caber em um mundo que roubou a minha voz.
      Mas o grito veio. Veio na crise de pânico que eu tive as 3 da madrugada, quando não tinha ninguém pra me ajudar. O grito veio na vontade de beijar a garota que eu amo, mas não fazê-lo por medo. O medo de tocar e o de ser tocada. O medo que me impede de abraçá-la quando a vejo. O medo de amar que você colocou em mim.
     Você fez isso comigo. Você fez com que eu tremesse toda vez que via um cara se aproximar de mim, mesmo que esse cara fosse meu melhor amigo. Você me mergulhou em medo, e colocou pra arejar no quintal da casa da minha avó.
     O seu assédio acabou comigo e eu ainda me culpo por não ter gritado "não", mas apenas EU sei como a minha boca secou e como eu perdi todas as palavras do meu vocabulário naquele momento. Apenas EU sei de todas as tentativas de suicídio frustradas. Apenas EU sei quanto carinho eu neguei pros outros e quanto carinho eu me neguei a receber, o tipo de afeto que eu precisava naqueles momentos. Apenas EU sou dona de mim e apenas EU sei de minhas circunstâncias e dores.
     Você me quebrou em mil pedaços, mas eu ainda vou me reconstruir, e quando isso acontecer é melhor que eu não veja nem sua sombra em meu caminho, porque eu farei questão de te destruir. A garotinha "gostosa" tá crescendo e se tornando um mulherão da porra que em breve vai acabar com tua raça. O karma é maravilhoso tio, e tua hora tá chegando. Espero que você queime no fogo do inferno.

~IMP~

    


     Vira e mexe, quando estou sozinha, dou um jeito de surtar e extravasar para não acabar fazendo isso perto de ninguém. Eu choro, desabo, me ergo e me desmonto, feito um castelo de cartas marcadas, ao menor sinal de ventania.

     Por exemplo, eu não sei odiar pouco. Quando estou com ódio eu pego fogo, sinto meu sangue arder nas veias e tenho uma enorme hemorragia interna. Escorre lava em mim.

     Quando amo, amo até doer. E eu não preciso de muita coisa pra amar alguém. Basta um colo, bom papo e um encontro de almas bacana que logo, logo eu estou suspirando pelos cantos. E eu não sei o que fazer com o amor. Ele é frágil como porcelana, mesmo quando há reciprocidade. Se dermos uma escorregada, ou segurarmos de maneira errada, ele se quebra em um milhão de pedacinhos.

     A tristeza também é uma grande incógnita pra mim, apesar de ser um dos meus sentimentos mais recorrentes. Ela me dilacera, rasga o peito e faz um grande rombo na alma. Fico com a garganta inteira tapada pelo choro e o corpo paralisado em pura melancolia. Tudo em mim para de funcionar, e eu não faço nada quanto a isso. Nem tento lutar contra ela. Deito-me em seu colo e choro o dia todo, como se ela fosse uma velha companhia, e de fato é.

     Essa questão, em específico, de não saber lidar comigo mesma e com tudo que se passa dentro de mim, faz com que eu me afaste de diversas pessoas e evite me relacionar com muitas outras.Eu não quero que ninguém se sinta obrigado a lidar com os demônios que eu mesma não aprendi a domar ainda. 

     Eu sou uma corda bamba pairando em cima de um enorme precipício, e eu não quero fazer ninguém perder o equilíbrio e despencar de mim em direção ao nada.

     A melhor maneira de colocar pra fora todas essas coisas sempre foi escrevendo, seja no diário que eu tenho há anos ou no caderno de matemática. A questão toda em volta disso, é que à medida que o tempo passa eu não sei se vou acabar me curando ou me destruindo em meio a todas essas palavras.

     A pior parte de sentir tanto é não saber o que fazer com isso, mas por ora resolvi me transbordar por aqui. Outra vez eu recomeço com meus textos.


~Gabby L.R~



Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...


~Carlos Drummond de Andrade~
     



     Noite dessas fui dormir pensando em você.
     Outra vez. Nada novo sob o luar.
     Sabe, você tem ocupado grande parte dos meus pensamentos. Não consigo me desligar. Você está em todos os lugares ao meu redor. No céu, na música, nos livros e poemas, no filme que vi hoje a tarde e até mesmo na timeline do twitter.
       Já te escrevi diversas coisas durante essas noites de insônia. Trechos, poemas, textos... Já ensaiei também diversas falas em frente ao espelho, mas me sinto destemida apenas de madrugada.
        Você me desconcerta todinha, fico sem saber como agir.
        Acho que é isso o que eles chamam de amor, tenho quase certeza.
        Esse sentimento que me rasga o peito, tira a fome e o sono, me traz memórias o tempo todo, esse sentimentozinho descarado que me rouba o ar e me faz ficar perdida entre o real e o inventado.
         Não tenho achado esse sentimento tão lindo como retratam alguns poetas por aí. Acho que concordo mais com Camões:

“Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói, e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer. 

É um não querer mais que bem querer; 
É um andar solitário entre a gente; 
É nunca contentar-se e contente; 
É um cuidar que ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata, lealdade. 

Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

Essa é a melhor definição até agora, e apesar de às vezes eu querer fugir de mim, eu não trocaria esse sentimento por nenhum outro.
Te amar é bom demais, é como aquela adrenalina boa que todo mundo procura de vez em quando,seja no filme de terror ou na roda gigante. A diferença é que eu não preciso procurar, ela faz morada dentro de mim.

~IMP~



Eu sou dona de apontar todos os meus defeitos e imperfeições, e isso se tornou um auto bullying rotineiro. Mas dia desses eu tentei achar minhas qualidades, coisa que eu nunca tinha parado pra fazer. Percebi uma coisa muito legal e foi o que me levou a escrever esse textinho.
   
Eu tenho uma mania muito bonita de ver poesia em tudo. E quando eu digo ''tudo'', é no sentido bem literal.
   
Eu enxergo poesia no céu, no ar, no asfalto, num programa de TV, no carro estacionado do outro lado da rua, em um livro, em pessoas (principalmente), em notícias do jornal, num filme qualquer, na chuva...
   
E a poesia, como já dizia um dos meus cantores preferidos, é a arte do fracasso, não tem como mentir em uma poesia. Ela é a nossa humanidade, nossa alma exposta ao mundo, não é uma busca por status, ela é simples, são as cores dos nossos medos espelhados nas palavras. Poesia é se reconhecer. Poesia é habitar. Poesia é fracassar uma ou dez vezes e enxergar esse fracasso. 

Poesia é, apenas.
   
E foi essa a qualidade m que eu encontrei, a de enxergar o que a maioria das pessoas ignora, o que a maioria das pessoas nem se dá conta da existência. Tudo bem que essa pode ser por causa do TDAH, mas não faz com que seja menos legal por causa disso.
   
Não sou um Narciso, tô bem longe disso na verdade, mas eu acho que as pessoas deveriam buscar um pouco mais essa minha qualidade. Buscar enxergar, buscar uma nova percepção do mundo a nossa volta, e desvencilharmos da eterna caixinha diária na qual estamos sempre submersos e prestar atenção nas cores, tão vibrantes que ficam por aí esperando ser notadas.

Vivemos tão alheios nos nossos eletronicos e reclamando da vida que aos poucos perdemos nossa visão.A poesia é sincera, e é essa sinceridade, essa visão das coisas, que eu preciso pra sobreviver. Ou melhor, pra viver. E acredito que no fim das contas todo mundo precisa de um pouco disso. São esses detalhes que eu coleciono por onde passo que fazem toda a diferença, fazem meu dia um pouquinho melhor. Essa é minha qualidade, faz parte de mim e me mantém viva. E eu pretendo continuar andando toda avoada por aí prestando atenção em tudo. 

O mundo inspira poesia, basta se permitir respirar.

~Gabby L.R~


    Eu mesma me machuco pra eu mesma me curar.
    Eu ando por aí aumentando o volume de tudo. Aumento o volume do frio, da fome, do sono, da dor, da saudade, da sujeira no pé, da roupa furada, da cama desfeita, da louça na pia, da geladeira vazia, da toalha molhada, das lâmpadas queimadas. 
    Aumento o volume que é pra criar uma espécie de dimmer da minha prórpia vida.            Como se eu pudesse amplificar tudo o que me espeta pra, depois, eu mesma diminuir. Como se, aumentando tudo, eu criasse, automaticamente, o controle de reduzir o ruído que alfineta em mim.
     É, eu sei. É uma pequena ilusão de poder que eu criei para me sentir um pouco rei de tudo que me machuca. 
    Se você me machuca, eu arrebetendo a ferida, a estico por todos os cantos, jogo pimenta e belisco a carne com alicate sem fio. Depois eu cuido de fazer as suturas e acredito estar cuidando de um estrago que eu mesma orquestrei. Às vezes, por falta do que cuidar, nesse meu vício de auto-tortura, me ponho a te machucar, gratuitamente, para que talhos e fraturas expostas se abram em mim como faz um terremoto ao rasgar o chão do mundo. E depois, talhos e fraturas expostas, o deleite de remendar, ritualísticamente, cada um deles. 
    Desde muito pequena, eu mesma me torturo para eu mesma de curar.
    Me torturo pra fazer canções; me torturo pra chorar e combinar com uma noite de chuva; me torturo pra me consolar; me torturo para eu ser - e mais ninguém - o carrasco a me maltratar.
    Me torturo pra ninguém me machucar. 
    E pra ninguém vir me curar.
    Faço tudo sozinha. 
    Sofro tudo sozinha.
    Conforto tudo sozinha.
    Mas, hoje, eu me pergunto: e esse carrasco que eu cuidei de criar pendurado em mim? Eu que tenho ele ou é ele que me tem? Dá jeito da gente se desgrudar?
~Ana Larousse~

Postado por: Gabby L.R
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