A probabilidade de atuar de novo é no mínimo excitante. Sinto saudades de decorar textos e movimentações. Sinto saudades da adrenalina, do suor, do foco.
Sinto falta de conseguir fazer algo minimamente bem.
Mas vem também uma ansiedade muito ruim. Pelo ambiente. Pelas pessoas. Pelas dores e gatilhos que isso me causa. Pela culpa que me corroe a três anos. "Se eu tivesse ficado mais isso não tinha acontecido". Pela inutilidade e mãos atadas ao não poder resolver nada.
Eu gosto do controle, gosto de ter a situação nas minhas mãos. Gosto de saber que se tudo der errado foi uma responsabilidade minha. E só minha.
Eu tô fora de controle. Não queria fazer isso.
Mas eu também sou leal demais. Tenho que lidar com minhas promessas.
Sinto saudades de atuar.
De rodar num palco. Ter um espaço delimitado e marcado pra ser alguém que não seja eu.
Sinto saudades de deixar de ser a Gabrielle por algumas horas. De poder me reinventar e viver a vida de outra pessoa. Viver uma vida que foi escrita por alguém como eu e você. Uma vida por Nelson Rodrigues ou Shakespeare.
Sinto falta. Mas não é momento de ser forte. De encarar isso. Não me sinto pronta. Me sinto fraca. Debilitada. Com nojo de mim. Triste.
É bizarro como memórias tão boas da minha vida se misturaram com coisas tão ruins que não sei mais desfazer esse emaranhado de fios que deveriam estar desconexos.
~Gabby L.R~
