Uma vez me disseram que o silencio grita
Aquietei-me e silenciei
Não porque quisesse gritar
Mas porque não entendia o preço das palavras que o meu silencio emitia.
Depois me pediram para falar,
Mas eu continuava a buscar a tal parte poética do silencio.
E me silenciei.
Dessa vez pra ver o quão alto a minha ausência de palavras conseguia gritar.
E ela gritou.
E eu gritei.
Eu gritei em plenos pulmões
Gritei na falta da escrita,
E no canto da sala,
Gritei da cama do quarto,
E do centro do cemitério,
Gritei com as lágrimas que rolavam pelo rosto,
Gritei com os pulmões ardendo em puro fogo,
Gritei sem emitir uma só palavra, fosse ela escrita ou falada.
Gritei sem qualquer vibração sonora
Pra só no fim entender que o silencio realmente grita.
Ele grita dentro de você.
Grita com você.
Ele pega todas as coisas que você ignora e as cospe na sua cara sem um pingo de educação.
O silencio grita, e grita muito alto. Mas só pra quem está disposto a ouvir.
Ele grita, grita e grita
Até você se contrair
Até não ser mais capaz de ouvir
O silencio grita, e digo mais, ele também pesa e isso não é prescrito quando você decide experimenta-lo.
O silencio te mete um soco, bem na boca do estomago.
Mas sinceramente, talvez seja preciso levar essa porrada.
